XXXIII

E se eu me tornasse a medusa,
Vinda dos teus pesadelos?
E se eu te levasse à caverna
Onde os gritos não são ouvidos?
Você nadaria até o fim dos tempos,
Para não sangrar ferido,
Para não beber veneno,
Para que as vozes da água
Não te levassem para baixo,
Para o negrume gelado
Das almas presas e velhas,
Que grudariam em teu cabelo
E arrancariam as tuas órbitas,
Para que de lá saíssem
Todas as tuas confissões.
E se eu te levar voando
A algum lugar infeliz,
De onde você jamais voltará? 

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