XXV

Quando em meus olhos fendidos
Vier derramar-se o teu pranto,
Onde do silêncio em brumas
Hei de surgir, infalível;
Quando em infando sabor
Desmanchar-se a tua carne selvagem;
Quando teus lábios famintos
Calarem submissos,
Eu hei de lembrar esta noite,
Donde surgem negros olhares,
E gritos medonhos a selar os lábios,
Que outrora foram teus.
Eu hei de lembrar que o silêncio
Foi-me imposto feito brasa viva,
E em cinzas, frias palavras
Eu hei de te transformar.