XXXIV

A noite me cumprimenta sorrindo
E diz que nela o horror se esconde.
Ri um meio trago de cigarro
Engasgado na neblina do tempo.
Me olha dos pés à cabeça
Que então explode num súbito medo.
A lua atormentada se esconde
Dos lobos e dos homens que uivam.
Carrego em meu bolso um convite
À negra noite cheia de estrelas.
Meus olhos ardem de dor e fumaça
Meus pés doloridos e trôpegos
Dançam um balé de almas cansadas.
Uma criança ri na sacada
Outra morre na ruela escura.
A noite acompanha meus passos
Zombando da minha embriaguez;
Me beija dos pés a cabeça
Que então se abre num súbito gozo.

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