XVIII - Amor Escarlate

A minha língua arde com sabores quentes
O meu cérebro pulsa, implora. 
O silêncio me domina. 
As moscas em minha boca fingem querer fugir
Mas voltam atordoadas para esse cemitério 
De verdades não ditas e mentiras escancaradas. 

Mergulho naquele lago, 
Para acabar com a secura que me consome
Para umedecer os meus olhos enrugados
E pálidos, que tanto se contorcem
Nessas noites quentes e intermináveis.

Meu cérebro ainda sonha com agulhas e machados, 
Com fios de amor escarlate escorrendo 
Entre os dedos, entre os lábios,
Entre o sexo, profano e inefável.

A minha voz se cala ao som da monotonia
Enquanto o vento uivando na janela 
Chama o meu nome, venda os meus olhos 
E abraça o meu corpo inerte que cai.

XVII - Afogada


A voz fria da morte
Sussurra em meu ouvido,
O mundo grita
E a minha cabeça explode.

Sonho afogar-me em areia
Com uma criança nos braços
Sem guerra, sem nome

O azul do oceano me espreita
Me traga feito fumaça
E eu muda, inane
Submersa.

O mundo grita,
Mas em mim só angústia
E silêncio.

XVI - Sobre Tudo e Todas as Coisas

Já se foi a minha vontade, findou-se a inspiração;
Passo dias pensando um verso, camuflado em qualquer paixão.

Só de dor e teimosia, o dia amanhece sem fim;
Passo horas tecendo um verso, que parece esconder-se de mim.

Os olhos mentem o medo, tal malévolo algoz;
E a serpente, ameaça sonsa, me rouba o verso e a voz.

XV

Preciso falar sobre o medo
De perder o que não se tem.
Preciso enfrentar o desejo
De adoçar o amargo de alguém.

Preciso entender que o destino
Infinito incapacitante,
No rastro de um vôo clandestino
Me evita e se mantém distante.