XXVII

Se num momento qualquer eu pudesse
Arrancar as raízes da insatisfação
Que se arrasta pelas esquinas infinitas
Como olhares malditos de tédio;

Se num instante qualquer eu ousasse
Servir-me a cada bel vontade
Do sumo amargo que outrora bebi;

Subiria então aos sete céus vermelhos
Que expiam cá na Terra suas doces iniquidades

E iria sozinha, perdida e tranquila
Para o mar sem nome onde a morte deságua.

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