XXI

A saudade consome o meu peito
De dores infames e amargos ardis.
Apesar da intenção honesta
E da pura vontade de desolação.
Consome os meus olhos cerrados,
Num sonho intranquilo de reencontro;
Como noutras tantas vidas,
Perdidas em prantos e desilusões.
Saudades tuas, que já não toco,
Já não imagino nas noites sem lua.
Só compro o sorriso de tanto passado,
Num surto sem nexo de recordações.
A saudade importuna os meus lábios
Aflitos, calados de submissão,
Ao pagar de imagens as cruéis vitórias
E os momentos perdidos na maré do tempo.
O perdão se apagou do meu triste desejo,
Senhor do pecado e da imaginação.
Sua alma corrompe a saudade vazia
Que invade os sonhos da minha rotina
Fatigada de vontades negadas,
E absolutas contradições.
A saudade consome o meu equilíbrio,
O gatilho puxado, a lembrança sutil.
Consome a memória de valores findos
E o riso assaltado na contramão.
A saudade consome sem intervalos,
Sem avisos, pedidos; na solidão.
A saudade consome o meu peito marcado,
Apesar do presente, além da paixão.

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