XVIII - Amor Escarlate

A minha língua arde com sabores quentes
O meu cérebro pulsa, implora. 
O silêncio me domina. 
As moscas em minha boca fingem querer fugir
Mas voltam atordoadas para esse cemitério 
De verdades não ditas e mentiras escancaradas. 

Mergulho naquele lago, 
Para acabar com a secura que me consome
Para umedecer os meus olhos enrugados
E pálidos, que tanto se contorcem
Nessas noites quentes e intermináveis.

Meu cérebro ainda sonha com agulhas e machados, 
Com fios de amor escarlate escorrendo 
Entre os dedos, entre os lábios,
Entre o sexo, profano e inefável.

A minha voz se cala ao som da monotonia
Enquanto o vento uivando na janela 
Chama o meu nome, venda os meus olhos 
E abraça o meu corpo inerte que cai.

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