VI

Um beijo de amor escarlate
Pulsando nos meus lábios frios,
E eu, sedenta,
Em tuas mentiras vou me afogar.
Tua pele branca desfaz-se ao meu toque,
Teus olhos, da cor da tristeza
Parecem me observar,
Entre todas as noites, todos os sonhos,
Entre o roçar dos teus cabelos
No meu peito,
E a curva pálida, pérfida
Do teu pescoço nu.
Quanto silêncio já não nos coube,
De veneno sincero,
De morte indolor?
Quantos perfumes já me enganaram,
Quando o corpo mentia
E o medo aflorava?
Sonhei outra vez,
Tua alma caindo no abraço profano
Do meu coração.

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