IV

Tão doces as memórias
De momentos que nunca vivi;
Preso num cenário sem sentido
Que me assombra em silêncio e torpor,

Nem mesmo por infindáveis segundos
Da loucura esquecida me descuido,
Pois que não há terapia ou remédio
No mundo, para esse mal

Que consome não o meu corpo,
Coberto de escudo e mágoa,
Mas a minha consciência
Cansada, doente e fugaz;

Ela, que se esconde quando mais preciso,
Quando nada de doce me resta
Senão a rosa, ferida e usada
Pelos espinhos que alimentou.

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