III














Agora além daquelas promessas
Ouço o trovejar faminto da alvorada
Caminhando sob a névoa
Mais densa do que louca
Mais nua do que tua ou minha;
E a noite se abre como um sussurro
Rodopiando de incertezas
Embaralhando as verdades vazias
Para dentro do meu firmamento.
As tagarelices do mundo
Cantando o silêncio que tanto me fala,
E a boca quente dessa madrugada
Me empurra as luzes garganta abaixo.
Minha cabeça dolorida e insone
Verte palavras pelas pupilas
Dilatadas, como em noite de lua cheia,
Essa mesma lua que me observa
E grita meu nome, numa voz de sereia
Canto alado que só eu escuto!
Vira o rosto agora:
Outro tapa lhe cega, e as flores
Fitam o seu desespero, julgam a sua vontade
Lá de cima da prateleira.
A cor daquelas promessas,
E o gosto do teu olhar castanho;
Verdade vazia, mais nua do que nossa
Nessa noite que era só minha.

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